Reitora da Universidade de Évora fala em “salto” da instituição, destaca crescimento no número de alunos e deixa projetos em andamento para a nova equipa liderada por António Candeias
Rosário Silva
“Saio muito satisfeita e com muito orgulho.” É assim que Hermínia Vilar faz o balanço de quatro anos à frente da Universidade de Évora, numa altura em que se prepara para passar o testemunho.
A 11 de maio, toma posse o novo reitor, António Candeias. Até lá, decorre um processo de transição que a ainda reitora garante estar a ser feito “com toda a normalidade”, com reuniões entre equipas e partilha de informação sobre os dossiers em curso.
“Saio, sobretudo, com a consciência tranquila de que a Universidade deu um salto ao longo destes quatro anos em várias áreas”, afirmou, sublinhando o sentimento de dever cumprido, partilhado com a equipa que a acompanhou.
O balanço inclui obras já concluídas e outras em fase final, como a requalificação de residências universitárias ou intervenções no polo da Mitra. Projetos que, diz, começaram e avançaram num contexto exigente.
“Foram quatro anos muito complicados”, reconheceu, apontando a pressão associada à execução de fundos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), mas também alterações legislativas e mudanças no acesso ao ensino superior que, no seu entender, penalizaram várias instituições.
Apesar disso, a Universidade de Évora conseguiu manter a procura e até crescer. Segundo Hermínia Vilar, o número de estudantes ultrapassou os 10 mil e, na primeira fase de candidaturas a mestrados e doutoramentos, registou-se um aumento de cerca de 30% face ao ano anterior.
“Penso que as coisas estão bem encaminhadas”, afirmou.
Projetos que ficam e desafios que continuam
Nem tudo, porém, ficou concluído. A criação do curso de Medicina, uma ambição antiga da universidade, continua por concretizar.
“Não conseguimos ainda que a Medicina fosse aprovada”, admitiu, acrescentando, no entanto, que estão reunidas as condições para uma nova candidatura com mais hipóteses de sucesso.
“Já começámos a cumprir o que é necessário e penso que na próxima vez poderá ser uma realidade”, disse.
Entre os projetos que ficam para a próxima equipa está também o reforço do alojamento estudantil, com a proposta de construção de uma nova residência universitária com cerca de 200 camas, uma resposta a um dos problemas mais persistentes da instituição.
A poucos dias da mudança de liderança, Hermínia Vilar sublinha a continuidade do trabalho e o espírito de colaboração na passagem de funções.
“A continuidade da instituição não está em causa”, garantiu.
No final de um mandato marcado por desafios e investimentos, fica a leitura de um ciclo que termina com obra feita e outro que se prepara para começar, com novos rostos, mas com muitos dos mesmos desafios.
