Manuel Álvares reabre no próximo ano letivo após obras de requalificação, mas número de camas não aumenta. Universidade admite pressão e aponta nova residência como solução futura
Rosário Silva
Por trás das paredes ainda em obra da residência Manuel Álvares, em Évora, prepara-se uma reabertura aguardada, mas que não resolve um problema antigo: a falta de alojamento para estudantes.
A poucos meses do arranque do próximo ano letivo, a Universidade de Évora conclui a requalificação de um dos seus edifícios residenciais, num investimento superior a 700 mil euros. A intervenção, financiada em parte pelo Plano Nacional para o Alojamento no Ensino Superior (PNAES), permitirá devolver à cidade uma residência com melhores condições, mas sem aumentar a capacidade de resposta.
“Não significa aumento do número de camas”, sublinhou a reitora Hermínia Vilar, durante a visita às obras, que o jornal a defesa acompanhou. “Mas é um contributo para o aumento das condições em que os nossos alunos poderão viver.”
Com capacidade para 72 estudantes, a residência Manuel Álvares deverá entrar em funcionamento já no próximo ano letivo, depois da instalação do mobiliário prevista para as próximas semanas. A obra integra um conjunto de três requalificações em curso, que deverão estar concluídas dentro dos prazos definidos.
Apesar do esforço, o essencial mantém-se inalterado: a pressão sobre o alojamento estudantil. A universidade dispõe atualmente de cerca de 525 camas nas residências dos Serviços de Ação Social, número que, segundo a reitora, está sistematicamente esgotado. A procura supera largamente a oferta, numa realidade que acompanha a tendência nacional, mas que também se faz sentir em cidades do interior.
“O aumento dos preços dos quartos tem impedido alguns alunos de se candidatarem”, reconheceu Hermínia Vilar, admitindo que as dificuldades no acesso ao alojamento acabam por condicionar a escolha da instituição de ensino superior.
Alojamento social com critérios apertados
As residências universitárias destinam-se, sobretudo, a estudantes bolseiros ou com comprovadas carências económicas, além de uma quota reservada a alunos estrangeiros ao abrigo de programas de mobilidade. O acesso é feito através de candidatura aos Serviços de Ação Social e obedece a critérios rigorosos.
Na prática, isso significa que muitos estudantes ficam fora deste apoio e acabam por depender do mercado privado, onde a escassez de oferta e a subida dos preços tornam o acesso cada vez mais difícil.
Espalhadas entre o centro histórico e a periferia de Évora, as residências da universidade procuram dar resposta a parte dessas necessidades. A maior é a António Gedeão, com 291 camas, a que se juntam outras unidades de menor dimensão, como Bento Jesus Caraça (25 camas), Florbela Espanca (50), Portas de Moura (21) e Soror Mariana (46).
No total, um conjunto de respostas que inclui quartos de várias tipologias, cozinhas, salas de estudo e convívio, lavandarias e acesso à internet, assegurando condições básicas de permanência para os estudantes deslocados.
Ainda assim, o número fica aquém do necessário. “O programa não vai resolver as necessidades que existem ao nível nacional”, admitiu a reitora, referindo-se ao plano de financiamento público para o alojamento no ensino superior. “Mas vai contribuir para que haja uma diminuição dessa pressão.”
Nova residência pode trazer 200 camas
A médio prazo, a solução poderá passar por aumentar a capacidade instalada. A reitora, que se encontra em fim de mandato, deixa preparado um projeto para a construção de uma nova residência universitária com cerca de 200 camas, a instalar em terrenos da universidade no bairro da Malagueira.
“É importante que haja também o aumento do número de camas aqui em Évora”, defendeu.
O projeto fica agora como herança para a próxima reitoria, dependente de novas oportunidades de financiamento. A concretizar-se, poderá representar um reforço significativo da resposta social da universidade.
Até lá, a equação mantém-se difícil: melhores condições para quem consegue lugar nas residências universitárias, mas poucas soluções para todos os que continuam à procura, num contexto em que estudar fora de casa é, para muitos, um desafio cada vez mais difícil de suportar.
