A quadra natalícia traz sempre consigo a graça de ver florir o que de melhor há em cada ser humano. No nosso coração reside toda a infinita possibilidade de fazer o bem e semear o amor. Por mais fortes que sejam os ruídos da guerra e as apreensões do futuro, não conseguem impedir que as sementes de esperança renasçam genuínas em tantos autênticos sentimentos de fraternidade, de justiça e de paz. Os gestos de solidariedade e a fraterna alegria que partilhamos por esta ocasião anunciam uma verdade escondida e sempre renascida que ecoa neste tempo de graça.
Aproximamo-nos, de novo, da mais grandiosa mensagem que outrora rompeu o silêncio duma noite fria: “Nasceu, em Belém, o Salvador!” Esta Verdade revelada mudou a história e anunciou a Esperança. Em cada ano acolhemos esta mensagem percebendo nela uma actualidade sempre nova e que vem ao encontro da história da humanidade num propósito de redenção. O nascimento de Jesus que celebramos em cada ano, mais do que uma recordação duma história longínqua, é um evento actual que se cruza com os nossos mais profundos anseios de luz e de paz.
Com a celebração da Festa da Sagrada Família de Nazaré, iniciávamos um caminho de esperança tendo no horizonte as graças jubilares próprias dum Ano Santo. Tal como não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte, também não podemos ficar indiferentes à chuva de graças que sobre nós caiu ao longo do Ano Jubilar. Quantas jornadas intensas pudemos testemunhar, quantos rostos iluminados pudemos contemplar, quantos sentimentos pudemos congregar em cada jubileu vivido e celebrado na nossa Arquidiocese! Sendo variados e exprimindo as belezas de cada realidade humana, eram como uma única prece erguida até às alturas em preces de confiança e louvor! Um Ano Santo é sempre um tempo oportuno que faz renascer os dons sempre novos do nosso Deus em favor dos seus filhos. Estamos profundamente agradecidos por tudo aquilo que o Senhor permitiu ao longo desta inesquecível peregrinação jubilar.
Longe de nós permanecermos na recordação dessas memórias passadas como se fossem uma meta alcançada onde queremos repousar do caminho percorrido. A celebração do Ano Jubilar tem de ser para nós um compromisso renovado onde redescobrimos a nossa identidade de peregrinos sempre dispostos a recomeçar para novas jornadas desafiadoras onde o amor de Deus nos surpreende e renova. Os desafios são imensos e a hora que vivemos assume contornos de grande gravidade que exige dos cristãos o espírito de missão para que a Luz de Cristo continue a brilhar nas trevas e as noites da humanidade possam continuar a ser aquecidas com o anúncio do Menino renascido em nossos corações. Sim, temos uma missão a cumprir, de mãos dadas com os homens e mulheres de boa vontade, que não podemos negligenciar. É urgente anunciar com novo vigor que Cristo é o Caminho e fora d’Ele tornar-se-ão cada vez mais densas as trevas da nossa história e mais angustiantes as encruzilhadas que vamos trilhando.
Quando encerrarmos, na próxima festa da Sagrada Família, o Ano Santo, continuaremos a revestir-nos da nossa condição de peregrinos enviados a cada dor humana, a cada cenário de guerra, a cada recanto de dor e sofrimento. Para isso Jesus nasceu: para nos encontrar na nossa história concreta. A isso somos enviados para que a nossa Fé em Cristo não seja um sentimento vão, mas um compromisso a que não queremos voltar costas. E tal como o Menino que nasceu foi crescendo em estatura, em sabedoria e em graça, possamos também nós dar ao mundo o testemunho dum compromisso que cresce e abraça a beleza de sermos irmãos.
Estaremos juntos! Estaremos todos!
+ Francisco José Senra Coelho,
Arcebispo de Évora
Nota Pastoral:
Sugere-se que na Festa da Sagrada Família, do próximo dia 28 de dezembro, por ocasião do Encerramento do Ano Santo, estejam presentes na Catedral de Évora todos os Oratórios dedicados à Sagrada Família, Imagens de Nossa Senhora Três Vezes Admirável de Schoenstatt, e os Oratórios Familiares dos Arautos do Evangelho, a fim de ali rezarmos por todas as famílias que acolhem estes sinais iconográficos no interior de suas casas.
Recomenda-se a todos os Párocos que alertem os zeladores e responsáveis desta atividade pastoral a participarem, na Catedral, pelas 16h, na Eucaristia festiva da Sagrada Família de Nazaré.

