Com o tema “O vagar, uma tonalidade afetiva idiomática”, a segunda conferência da Academia do Vagar, por António Guerreiro, aconteceu no dia 20 de novembro, às 18h00, no salão nobre do Teatro Garcia de Resende.


Ao longo da conferência, António Guerreiro — crítico cultural, jornalista e cronista com presença regular no Expresso e no Público, onde atualmente mantém a coluna semanal “Ação Paralela” — procurou mostrar que o VAGAR pode e deve ser entendido em oposição ao fenómeno da aceleração que caracteriza a modernidade (compreendendo tanto a aceleração técnica como a aceleração do ritmo de vida) e a alienação que lhe corresponde, posicionando-o como conceito que pode servir de instrumento para uma crítica social do tempo.


A partir desta relação com o tempo, destacou-se ainda que o VAGAR não se esgota nela, estendendo-se à própria experiência da paisagem, com a qual mantém uma ligação íntima.

O título da segunda conferência da Academia do Vagar — “O vagar, uma tonalidade afetiva idiomática” — nasce da reflexão sobre a palavra VAGAR e sobre o modo como esta se inscreve num universo idiomático cuja expressão tradicional e plena encontramos no Alentejo. Contudo, mais do que um simples regionalismo, para António Guerreiro, o VAGAR descreve o modo fundamental como o sujeito se encontra no mundo, à semelhança, por exemplo, da melancolia, da angústia ou da nostalgia. Como observa Martin Heidegger, também o VAGAR é uma tonalidade afetiva, uma disposição existencial que orienta a forma como o sujeito se relaciona com o mundo, o seu próprio ser-no-mundo.

A Academia do Vagar, cuja programação decorre ao longo de 27 meses, até dezembro de 2027, conta com a curadoria de Jacinto Lageira (Universidade de Paris I – Sorbonne) e tem como objetivo promover o pensamento crítico e a criação coletiva, colocando o conceito do VAGAR no centro de uma nova proposta para a Europa e o mundo.

Além de conferências internacionais, a programação da Academia do Vagar conta com encontros, conversas e workshops com a participação de filósofos, sociólogos, antropólogos, artistas e outros pensadores que, a partir de diferentes disciplinas, contribuirão para a construção de novas perspectivas sobre o tempo, a cultura, a existência humana e a comunhão com tudo o que nos rodeia.

A próxima conferência, e última de 2025, decorre no dia 18 de dezembro, às 18h00, no Salão Central Eborense, por Agnès Lontrade que propõe uma reflexão sobre “O tempo livre como paradoxo social. Pensar o skhôlè e o otium hoje.”

Todas as conferências da Academia do Vagar são de entrada gratuita, sujeita à lotação das salas.

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