Ao início da noite desta sexta-feira, dia 31 de outubro, no Salão Nobre dos Paços do Concelho de Évora, decorreu a cerimónia de tomada de posse do novo presidente da Câmara Municipal de Évora, Carlos Zorrinho (PS), eleito nas autárquicas de 12 de outubro.
No mesmo ato solene tomaram também posse os restantes membros do executivo municipal: Carmen Carvalheira (PS), Jerónimo José (PS), Henrique Sim-Sim (AD), Patrícia Raposinho (AD), João Oliveira (CDU) e Rúben Migueis (CHEGA). Na sessão foi também eleito Jorge Araújo para Presidente da Assembleia Municipal de Évora, tendo decorrido a instalação da Assembleia Municipal.
Decorreram ainda as tomadas de posse dos Presidentes das Juntas e das Uniões de Freguesias do Concelho de Évora.
Trabalhar “por uma maioria estável e por uma governação sólida do Concelho”
No seu primeiro discurso como Presidente da Câmara Municipal de Évora, Carlos Zorrinho começou por garantir que no mandato que agora assume com a sua equipa trabalhará “por uma maioria estável e por uma governação sólida do Concelho”.
“Envolver e dialogar com todos sempre foi a minha intenção, qualquer que fosse o resultado. E é isso que estou determinado a fazer. O diálogo construtivo é uma condição de sucesso coletivo que eu assegurarei em cada momento”, afiançando que “partimos de uma página que está aberta a ser melhorada todos os dias”.
“Estamos todos convocados para participar na construção e na aplicação com o município e os seus diferentes órgãos de soluções mais eficazes, mais eficientes e mais justas”, apelou.
“Ao longo da campanha eleitoral, as ideias que perfilho para o desenvolvimento do Concelho foram amplamente partilhadas. Espero e desejo poder agora enriquecê-las, com os contributos dos outros representantes eleitos pelos Eborenses”, sublinhou.
“Évora precisa de uma atitude construtiva para pautar o relacionamento democrático do nosso Concelho, em particular entre aqueles que foram mandatados para serem protagonistas de um novo ciclo de políticas e de um novo ciclo de prioridades”, apontou, tendo informado que no final da sessão convocaria a primeira reunião de Câmara, agendada para o dia 5 de novembro, às 15h00.
“Na sequência desta convocatória, agendarei formalmente, porque os contactos já foram feitos e já estão agendados, em articulação com os próprios, reuniões de trabalho com os vereadores eleitos por todas as forças políticas representadas na vereação. E essas reuniões estão agendadas antes da primeira reunião do Executivo”, adiantou, partilhando que “penso que é este o tempo certo, o momento certo para que o diálogo construtivo seja iniciado”.
Recordando a sua longa experiência de serviço público nos vários domínios, desde a investigação e o ensino ao desenvolvimento regional. À governação nacional e a representação e negociação no quadro de duas Assembleias Municipais, da Assembleia da República e do Parlamento Europeu, Carlos Zorrinho garantiu que “dessas experiências de aprendizagem e de fazer acontecer, retirei uma lição que tudo farei para que marque também a minha ação enquanto presidente da Câmara Municipal de Évora. É sempre mais eficaz trabalhar sobre soluções do que sobre problemas, mesmo que a solução final seja diferente da solução de partida”.
“No contexto da pressão financeira e organizativa a que está sujeita a autarquia, considero fundamental partilhar convosco esta metodologia que farei questão de aplicar. Temos muitos diagnósticos e a sua atualização é importante e fundamental. Mas o meu foco e o foco da minha equipa e da autarquia sob a minha liderança serão a acção e a execução, aceitando para isso todos os contributos válidos e promovendo todas as parcerias necessárias”, afiançou.
Os primeiros cinco passos do mandato
Recordando o que já tinha prometido em campanha, Carlos Zorrinho sintetizou em cinco pontos o que começará já a fazer após esta tomada de posse.
“Em primeiro lugar, reunir com a minha equipa, que são em primeira instância todos os trabalhadores da autarquia”, afirmou.
“Em segundo lugar, conhecer melhor os dossiers, que me foram no devido tempo transmitidos pelo presidente cessante e lançar as medidas do Plano de Emergência numa lógica de proximidade e em profunda articulação com as Juntas de freguesia, cujas competências e meios serão reforçados em função da sua capacidade e da sua vontade política”, apontou.
“Em terceiro lugar, concretizar um programa de melhoria dos procedimentos internos e na resposta atempada e transparente às solicitações externas”, disse.
“Em quarto lugar, contribuir ativamente para desbloquear processos pendentes com o Governo e outras entidades públicas e privadas, cuja resolução é fundamental para o desenvolvimento do Concelho”, referiu.
“E, finalmente, lançar as bases da criação do Gabinete de Projetos do Município e do desenvolvimento do seu sistema de informação integrada”, revelou.
“Agendaremos, assim que possível, uma reunião alargada de apresentação do Executivo a todos os trabalhadores da Câmara. E faremos todas as reuniões sectoriais necessárias para criar um forte entrosamento entre as prioridades estratégicas e operacionais do Executivo e a ação técnica dos diversos serviços da autarquia”, afiançou, adiantando que “para poder tomar as decisões adequadas e fundamentadas e consolidar o poder negocial da autarquia em dossiês externos, é determinante termos todos o mais profundo possível conhecimento do ponto de que partimos”.
“É nesse contexto que contrataremos uma auditoria técnica, funcional e financeira que, uma vez concluída, será do conhecimento público, para todos sabermos de onde partimos e podermos planear de forma sustentada onde queremos chegar e o caminho que temos que percorrer”.
“Não pretendo, que fique bem claro, com esta auditoria técnica induzir qualquer desconfiança em relação ao passado. Pretendo semear a confiança em relação ao futuro e aplicar uma cultura de transparência em todo o funcionamento da autarquia”, garantiu Carlos Zorrinho.
“Que Évora se assuma como uma grande capital europeia ao sul”
O novo Presidente quis ainda sublinhar os fundamentos do seu programa de transformação para Évora, que os eborenses sufragaram.
“Évora, a maior cidade do Alentejo e o seu Concelho, tem uma centralidade particular no contexto da região”, disse, afiançando que “temos que aproveitar o impulso de sermos capital europeia da cultura desde já, mas sobretudo em 2027, e o nosso posicionamento estratégico no momento em que confluem oportunidades como a conclusão do novo Hospital Central, o desenvolvimento de novas acessibilidades, a atração de investimentos em setores económicos muito promissores para fazer com que Évora se assuma como uma grande capital europeia ao sul”.
“A afirmação de Évora como capital europeia ao sul não se faz em competição com nenhum outro município da região, mas em cooperação com todos eles e, em particular, com as outras capitais de distrito”, destacou, afirmando peremptoriamente: “não haverá uma Évora forte sem um Alentejo forte. Nem haverá um Alentejo forte sem uma Évora forte. Estou profundamente convencido disso e por isso trabalharei com todas as minhas forças”.
“Para crescer, um, temos que crescer todos em colaboração ativa. Este é um desafio que deixo a cada um e a todos os eborenses. É um desafio que deixa à Universidade de Évora, deixando a Universidade de Évora, deixo a toda a rede local e de conhecimento, formação, qualificação. É um desafio que deixa a todos e a cada um dos meus colegas autarcas do Distrito e da região e aos órgãos que deles emanam, como a CCDRA ou as comunidades intermunicipais. É um desafio que deixo às redes empresariais e às redes associativas de todos os setores. E é também um desafio que deixo ao governo, sim, um desafio que deixo ao governo e às forças políticas representadas na Assembleia da República, com ênfase particular, para o partido pelo qual fui eleito, o Partido Socialista. Há múltiplos projetos de impacto territorial alargado em que uma cooperação ativa é fundamental”, afiançou.
“A Capital Europeia da Cultura pode e deve ser a pedra de toque desta coesão de identidade e propósito. Interessa a todos que ela seja um sucesso da afirmação do Concelho, da afirmação da região e da afirmação do país. Temos que trabalhar juntos para que isso aconteça e nos projete para outro patamar na proteção e valorização do património material e imaterial, é fonte de riqueza, fruição, aprendizagem, partilha e exercício da liberdade”.
“E sejamos claros, o sucesso da capital europeia da cultura, que uso aqui como exemplo, e podia fazer este mesmo tipo de análise para os outros projetos estruturantes que há pouco enunciei, o sucesso da capital europeia da cultura, que uso aqui como exemplo, tal como o sucesso desses outros projetos para a nossa cidade e para o nosso Conselho, será uma alavanca essencial para podermos dar uma resposta mais rápida e eficaz aos desafios imediatos”, destacou, apontado de seguida os vários desafios para Évora.
“Resposta mais rápida e eficaz aos desafios imediatos”
“Ao desafio da limpeza urbana e do tratamento dos lixos. Ao desafio da qualidade das acessibilidades, dos estacionamentos e dos transportes. Ao desafio da disponibilização da habitação acessível e digna, fundamental para a atividade social e económica do Concelho e para o seu crescimento sustentável. Ao desafio da solvabilidade da autarquia, da sua capacidade de captar investimentos. Lançar novos projetos, apoiar as redes associativas nas suas dispensas vertentes, promovendo uma comunidade vibrante, aberta, plural e feliz. Ao desafio da segurança e inclusão”.
“Enunciei apenas algumas das prioridades imediatas, não as citei todas por economia de discurso. Mas esta intervenção é apenas um começo de conversa, um começo de conversa com a cidade e com o Concelho. Um começo de conversa, um começo de ação e um começo de execução”.
“Ao longo dos próximos quatro anos, eu e a minha equipa manteremos um diálogo permanente com os eborenses. Um diálogo direto, um diálogo através das suas instituições, organizações e associações. Um diálogo através dos meios de comunicação social e, sem descurar, obviamente, as redes sociais institucionais”, destacou.
“Termino esta minha intervenção num tempo em que a ameaça de crispação e ruptura social motivada pela desinformação, pela ignorância, pelos discursos de ódio é cada vez mais premente, prestando homenagem à comunicação social de proximidade. À comunicação social que estabelece uma ponte de conexão fundamental entre a ação dos eleitos e a avaliação dos eleitores, dando transparência e robustez à atividade política, à democracia em movimento e à participação cívica ativa das comunidades. Atrevo-me a dizer, combinando várias experiências de vida, que a dinâmica plural da comunicação social num território é o espelho da saúde e da pujança do seu processo de desenvolvimento. Evoluiremos juntos”, sublinhou.
“Estou grato a todos os que dignificaram com a sua presença esta cerimónia. É um agradecimento que julgo poder fazer em nome de todos os empossados, em nome do poder autárquico, democrático, livre e plural, em nome de um futuro melhor para a nossa terra”, concluiu o seu primeiro discurso Carlos Zorrinho com um “muito obrigado”, que foi correspondido com um forte aplauso dos inúmeros eborenses que lotaram a sala de atos dos Paços do Concelho de Évora.
Texto de Pedro Miguel Conceição/a defesa
