A campanha iniciou-se oficialmente no dia 4 de maio, 14 dias antes das eleições – agendadas para 18 de maio -, e terminará à meia noite da antevéspera da ida às urnas, ou seja, no final do dia 16 de maio.
As eleições legislativas realizam-se a 18 de maio, pouco mais de um ano e dois meses depois das últimas (também antecipadas), na sequência da demissão do Governo PSD/CDS-PP liderado por Luís Montenegro imposta pela rejeição pelo parlamento da moção de confiança ao executivo a 11 de março.
Concorrem 21 partidos e/ou coligações às eleições.
132 631 eleitores podem votar no Círculo de Évora
Nas legislativas de 18 de maio, os 132.631 eleitores inscritos vão poder votar num dos 14 partidos e coligações que concorrem no círculo de Évora, em que a maioria apresenta novos cabeças de lista e apenas quatro mantêm a aposta feita em 2024, noticiou a Agência Lusa.
O PS é um dos que mantêm a escolha, já que o deputado Luís Dias, eleito pela primeira vez para o parlamento nas anteriores legislativas, continua como cabeça de lista.
Já a AD – Coligação PSD/CDS escolheu para cabeça de lista o presidente da distrital de Évora do PSD, Francisco Figueira, em detrimento da Sónia Ramos, deputada do partido na legislatura que agora findou e já anunciada candidata ‘laranja’ à Câmara de Estremoz.
Também o Chega, depois da estreia na obtenção de um mandato, optou por mudar de cabeça de lista, trocando Rui Cristina, agora candidato em Beja, por Jorge Galveias, parlamentar eleito por Aveiro nas anteriores eleições.
A CDU, que não tem deputado eleito por Évora desde as legislativas de 2022, aposta agora na professora Maria da Graça Nascimento.
O BE aposta no especialista em sistemas e tecnologias de informação Pedro Ferreira, a IL candidata o estudante universitário Rodrigo Mendonça e o Livre repete a candidatura da educadora de infância Glória Franco.
Sérgio Neves (PAN), Ricardo Mendes (RIR), Carla Ribeiro (Ergue-te), Hélder Machado (Volt Portugal), Jorge Canhoto (Nós, Cidadãos!), Luís Madeira (PPM) e Rodrigo Paias (Alternativa Democrática Nacional) são os restantes candidatos a encabeçar listas.
Síntese histórica dos resultados das legislativas no Círculo de Évora
A agência Lusa recorda que o PS e o PCP, sozinho ou em coligação, ganharam a grande maioria das legislativas no círculo de Évora, ao longo de quase 50 anos de eleições democráticas, com destaque para os socialistas, que vencem desde 1995.
A vitória neste círculo eleitoral só fugiu a socialistas e a comunistas nas legislativas de 1991, quando o PSD conseguiu ficar à frente da CDU (PCP/PEV), segunda força política mais votada, e do PS, terceira, e eleger dois dos quatro deputados.
Esse sufrágio constitui um marco que separa as hegemonias do PCP e suas coligações, concretamente a antiga Aliança Povo Unido (APU) e a atual Coligação Democrática Unitária (CDU), e do PS.
Antes de 1991, o PCP ou as coligações por si lideradas venceram todas as eleições legislativas em Évora, enquanto após essa data foram sempre os socialistas os mais votados no distrito.
O PS é o partido com mais vitórias em legislativas no círculo eleitoral de Évora, num total de 10, nomeadamente em 1995, 1999, 2002, 2005, 2009, 2011, 2015, 2019, 2022 e 2024.
Já o PCP ganhou as primeiras eleições para a Assembleia da República, em 1976, e repetiu a vitória, com a APU, em 1979, 1980, 1983 e 1985, e depois, com a CDU, em 1987, totalizando seis triunfos.
Ao longo dos anos, os deputados eleitos por este círculo - que em 1976 eram seis e atualmente são três - foram repartidos por estas três forças, sozinhas ou em coligações, com apenas duas exceções. Uma delas foi nas eleições de 1985, com o Partido Renovador Democrático (PRD), de António Ramalho Eanes, a conseguir eleger um deputado por Évora e a outra aconteceu nas legislativas do ano passado, quando o Chega conquistou um parlamentar.
Bispos Portugueses apelam “aos cidadãos para que, no próximo dia 18 de maio, exerçam o seu direito de voto refletido e informado”
No comunicado final da 211.ª Assembleia Plenária da Conferência Episcopal Portuguesa que reuniu em Fátima de 28 de abril a 1 de maio, os Bispos portugueses escrevem que “o nosso país atravessa significativas complexidades sociais como a persistência da pobreza, as dificuldades no acesso à habitação e as desigualdades sociais, com o impacto que tudo isto tem na vida das famílias. Também o acolhimento aos migrantes, com os desafios daí decorrentes, marcam o dia-a-dia em Portugal, num cenário a que acresce a complexidade geopolítica internacional”.
“Diante deste quadro, e na proximidade de novas eleições legislativas antecipadas, a Assembleia Plenária apela aos partidos políticos para que colaborem numa campanha eleitoral honesta e esclarecedora, acima de qualquer interesse pessoal ou partidário”, lê-se no comunicado final, que acrescenta: “É urgente um diálogo entre as principais forças políticas para que destas eleições nasça uma estabilidade governativa capaz de restabelecer a esperança dos cidadãos e atender à primazia do bem comum, à justiça social e ao cuidado para com os mais vulneráveis”.
“Apelamos também aos cidadãos para que, no próximo dia 18 de maio, exerçam o seu direito de voto refletido e informado. Votar é um direito e um ato de participação ativa na construção da sociedade que ninguém deve negligenciar”, apelam os Bispos portugueses.
Comissão Nacional Justiça e Paz
pede que ato eleitoral seja
“momento de renovado compromisso coletivo na efetiva construção
e promoção do bem comum”
Entretanto, no dia 2 de maio, a Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP) pediu que as eleições legislativas portuguesas de 18 de maio sejam “um momento de renovado compromisso coletivo na efetiva construção e promoção do bem comum”.
O organismo escreve, numa nota enviada às redações e citada pela Agência ECCLESIA, que se vive “um tempo incerto, de persistente injustiça e desigualdade, de subversão progressiva dos valores e da ética, de ameaça crescente à paz, pela pobreza que permanece, pela indiferença que se instala, pelo recurso imparável ao uso da força e das armas”.
“Mas o tempo em que vivemos é também um tempo de oportunidades, pleno de conhecimentos e recursos, de ferramentas efetivas, para combater a incerteza, a indiferença e a injustiça, para promover a inclusão, o desenvolvimento, para construir a paz. Com verdade, compromisso, vontade”, assinala.
Na mensagem com o título “Na proximidade de um inesperado, mas não menos decisivo, ato eleitoral”, a CNJP apela a que as propostas presentes “ultrapassem o imediato, os conflitos conjunturais e assumam verdadeiros, honestos e viáveis compromissos, que superem o curto prazo e tenham a ambição de um futuro de desenvolvimento sustentável”.
Desta forma, o organismo pede que estas assumam o desafio de “cuidar da fragilidade do povo e do mundo”, a “urgência em ouvir o grito dos pobres da terra, o imperativo da dignidade humana, como determinantes da ação que é sementeira da esperança, que gera confiança neste desiderato que é a construção do bem comum”.
“Propostas que coloquem como desígnio prioritário o combate à pobreza, a promoção da efetiva inclusão de todos, a concretização convergente de políticas indutoras do desenvolvimento sob a égide de um julgamento ético que avalie o que é bom, que questione o que faz falta”, desenvolveu.
A CNJP prossegue pedindo que os projetos façam eco do apelo do Papa Francisco na sua última mensagem, dirigida aos que têm responsabilidade políticas, para não ceder “à lógica do medo que fecha, mas usem os recursos disponíveis para ajudar os necessitados, combater a fome e promover iniciativas que favoreçam o desenvolvimento”.
“Propostas sob escrutínio, que é pedido a cada uma e a cada um, responsável por uma ativa participação cidadã, sem a qual não há projeto de sociedade que sobreviva e se consolide”, pode ler-se.
O organismo entende que “só com a efetiva participação de cada uma e cada um, é possível construir uma consciência coletiva que condicione as políticas públicas, que controle o poder político, que seja um instrumento de esperança no desenho do projeto de futuro”.
“Só com a efetiva participação de cada uma e cada um se podem recuperar os valores que fazem parte da herança coletiva, fatores estruturantes das opções a tomar, em nome do bem comum”, salientou.
A CNJP sublinha que “os atos eleitorais são momentos importantes de exercício da responsabilidade cidadã e da construção coletiva”, “exprimem uma opção”, “recusam a indiferença e não deixam para outros escolhas decisivas”: “Cada um faz a diferença e é, assim, agente da esperança”.
“Na sua última mensagem, o Papa Francisco interpela-nos ‘a não imobilizar o nosso coração nas ilusões deste mundo, nem fechá-lo na tristeza; temos de correr, cheios de alegria.’ A Comissão Nacional Justiça e Paz, neste ano do Jubileu da Esperança, apela à participação de todas e de todos na construção do bem comum”, conclui.
Redação
com Agência ECCLESIA e Agência LUSA
