A festa mais aguardada pelos eborenses está de volta até dia 5 de julho. Apesar das obras no Rossio de São Brás, o certame mantém a dimensão e a ambição. Carlos Zorrinho, presidente da Câmara Municipal de Évora, em entrevista ao jornal ‘a defesa’, destaca uma edição de transição, com 800 mil euros de investimento e o olhar posto em Évora 2027.
Rosário Silva
Como é que a Câmara Municipal de Évora define esta edição da Feira de São João em termos de objetivos e principais apostas programáticas?
A Feira de São João 2026 assume um significado muito especial porque acontece num momento decisivo para Évora, quando nos preparamos para ser Capital Europeia da Cultura em 2027. Definimos esta edição como uma feira de transição e de afirmação, capaz de preservar a sua identidade popular e regional, ao mesmo tempo que projeta uma visão mais ampla da cidade e do seu futuro. O tema “Évora: Capital Europeia ao Sul” traduz precisamente essa ambição de valorizarmos aquilo que somos e, simultaneamente, reforçarmos a nossa capacidade de atrair pessoas, investimento, cultura e conhecimento.
Que destaques gostaria de sublinhar na programação deste ano, em termos de animação, cultura e participação do público?
A programação foi construída para responder a públicos muito diversos. Temos grandes concertos, animação permanente, atividades para famílias, espaço para associações, promoção do artesanato, da gastronomia e das tradições locais. Destacaria igualmente a forte presença das coletividades do concelho, que continuam a ser a alma da feira, bem como as iniciativas ligadas à cultura e ao desporto, que procuram aproximar a população do espírito que queremos afirmar em 2027. É uma programação inclusiva, intergeracional e participativa. Esta Feira de S. João é também um convite à participação cívica. Em exposição estará o Plano de Urbanização de Évora, atualmente a ser revisto, e que é um documento estratégico que vai definir o desenvolvimento da cidade para a próxima década
As obras em curso no Rossio de São Brás reduzem significativamente o espaço habitual da feira. De que forma isso condicionou a organização e que soluções foram encontradas?
As obras representam naturalmente um desafio, mas também uma oportunidade para demonstrar capacidade de adaptação. Desde o primeiro momento assumimos que a Feira de São João não poderia perder qualidade nem identidade por causa desta condicionante. Foi realizado um grande esforço de reorganização dos espaços, procurando garantir conforto, segurança e funcionalidade para os agentes e visitantes. O resultado final demonstra que é possível manter a dimensão e a atratividade do certame mesmo num contexto mais exigente.
Foi necessário ajustar a localização de tasquinhas, expositores ou equipamentos devido a estas limitações? Com que critérios foram feitas essas opções?
Sim, houve vários ajustamentos. O principal critério foi garantir uma distribuição equilibrada dos espaços, assegurando boas condições de circulação para os visitantes e visibilidade adequada para expositores, tasquinhas e associações. Procurámos também manter a lógica tradicional da feira, evitando que qualquer setor ficasse excessivamente isolado. Todo o processo foi desenvolvido em diálogo com os diversos participantes, procurando encontrar as melhores soluções para todos.
A feira estende-se uma vez mais ao Jardim Público. Esta solução pode abrir caminho a um novo modelo de organização no futuro?
A utilização do Jardim Público não é novidade. Trata-se de um complemento muito interessante ao recinto principal. Permite diversificar ambientes, criar novas experiências e valorizar um espaço emblemático da cidade. Naturalmente que, após a feira, faremos uma avaliação detalhada da experiência deste ano. Não excluímos que algumas das soluções encontradas possam vir a influenciar futuras edições, mas qualquer decisão será tomada com base naquilo que melhor servir os visitantes, os participantes e a própria cidade.
Qual é o orçamento desta edição da Feira de São João e como se compara com anos anteriores?
O orçamento procura corresponder a uma linha de equilíbrio e responsabilidade financeira, compatível com a dimensão do evento, com os desafios atuais e com a capacidade da autarquia. São 800 mil euros. Houve naturalmente ajustamentos decorrentes das necessidades logísticas criadas pelas obras e da evolução dos custos associados à produção de eventos. Contudo, continuamos a procurar maximizar o retorno de cada euro investido, garantindo uma programação de qualidade e um evento que beneficie toda a comunidade.
Que impacto espera que a feira tenha na economia local e na dinâmica turística de Évora?
A Feira de São João é um dos maiores acontecimentos anuais da cidade e tem um impacto muito significativo na economia local. Beneficia o comércio, a restauração, a hotelaria, os produtores locais e um vasto conjunto de prestadores de serviços. Esperamos receber milhares de visitantes ao longo dos vários dias do certame, reforçando a notoriedade de Évora e contribuindo para a afirmação do concelho no contexto regional, tendo em conta as características ímpares deste tipo de certame.
As atuais condicionantes levaram a repensar alguma dimensão da feira, nomeadamente em termos de mobilidade, sustentabilidade ou segurança?
Sem dúvida. As limitações de espaço obrigaram-nos a olhar para a organização de forma mais integrada. Reforçámos a atenção à mobilidade pedonal, aos acessos, aos planos de emergência e à gestão dos fluxos de visitantes. No Jardim Público, por exemplo, onde vai estar o palco principal, há todo um plano de segurança previsto para acautelar qualquer imprevisto.
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