Bispo D. Pedro Fernandes destaca o papel das comunidades portuguesas no mundo e alerta para os riscos do medo, da discriminação e dos discursos de ódio

     Rosário Silva

A Comissão Episcopal da Mobilidade Humana assinala o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas com uma mensagem em que apela ao diálogo, à hospitalidade e à construção de uma sociedade mais inclusiva, valorizando o contributo das comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo.

Na mensagem divulgada por ocasião do 10 de Junho, o presidente da comissão, D. Pedro Fernandes, dirige uma saudação especial aos emigrantes portugueses e a todos os que se identificam com a cultura nacional, sublinhando que a identidade de um povo resulta de um equilíbrio entre memória e renovação.

“Somos o que somos graças a um longo caminho, feito de memória e criatividade”, afirma o responsável, defendendo que a identidade portuguesa possui “algo de perene”, mas também uma dimensão dinâmica, que se enriquece no contacto com outras culturas e realidades.

Partindo da sua própria experiência de contacto com diferentes contextos culturais, D. Pedro Fernandes considera que o encontro com a diferença ajuda a compreender melhor a própria identidade e favorece o crescimento pessoal e comunitário. “É precisamente diante da diferença dos outros que se torna mais clara a própria identidade”, escreve.

Num contexto internacional marcado pela incerteza e por crescentes tensões sociais, o também bispo da diocese de Portalegre-Castelo Branco, alerta para “a tentação de nos recurvarmos sobre nós”, movidos pelo medo do outro. Em contrapartida, defende que “é no diálogo e no acolhimento que melhor encontramos a estabilidade de que precisamos e as condições para evoluir”.

A mensagem faz ainda referência ao magistério do Papa Leão XIV, apontando a fraternidade, a corresponsabilidade e a inclusão como caminhos para a construção de uma sociedade mais justa. O presidente da Comissão Episcopal da Mobilidade Humana considera que a experiência da emigração pode ajudar a combater preconceitos e divisões, recordando “o quanto custa a discriminação” e “o quanto é reconfortante a porta aberta, a inclusão e a permissão para caminhar juntos”.

Evocando autores como Luís de Camões, Miguel Torga, Sophia de Mello Breyner Andresen e Fernando Pessoa, o Prelado apresenta Portugal como um povo habituado ao encontro entre culturas e à abertura ao desconhecido.

Na parte final da mensagem, deixa um apelo à unidade e ao bem comum: “Nos seja permitido vencer o medo juntos, não divididos; na busca de paz e no diálogo, não nos discursos de ódio”. O responsável acrescenta que a matriz cristã da identidade portuguesa “impele-nos ao diálogo”, inspira fraternidade e convoca à inclusão. “Desejo, unido a Cristo, que Portugal se cumpra em nós e entre nós, como um lugar de paz e de justiça para todos”, conclui.

Foto | DR

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