Peregrinos do Alentejo voltam à estrada rumo às celebrações de 12 e 13 de maio, com alertas da GNR e conselhos de saúde para uma jornada segura
Há caminhos que se fazem com os pés, outros com a fé e, por estes dias, milhares de peregrinos juntam as duas coisas na longa marcha até Fátima. Entre eles, seguem também algumas centenas de alentejanos, em grupos organizados ou em silêncio individual, atravessando estradas nacionais, bermas estreitas e à mercê de imprevisíveis condições meteorológicas, num ritual que se repete todos os anos por esta altura.
A pensar neles, a Guarda Nacional Republicana (GNR) já está no terreno com a operação “Peregrinação Segura 2026”, até 13 de maio, com patrulhamento reforçado, acompanhamento de grupos e monitorização das vias mais críticas. O objetivo é claro: reduzir riscos num período em que o trânsito aumenta e as condições nem sempre são favoráveis a quem caminha.
Ao longo do percurso, a GNR insiste em gestos simples que podem fazer a diferença: caminhar sempre na berma contrária ao trânsito, em fila única, usar colete refletor e evitar distrações como o telemóvel ou os auscultadores. À noite, o cuidado deve redobrar e, sempre que possível, evitar caminhar sozinho.
Este ano, há também um reforço na comunicação em tempo real. A GNR vai emitir alertas e conselhos através da aplicação Waze, sinalizando pontos de perigo e ajudando a orientar tanto peregrinos como condutores.
Quando o corpo também faz caminho
Mas a segurança não depende apenas da estrada. Depende também do corpo e da forma como cada peregrino se prepara para dias de esforço contínuo.
“A peregrinação é uma experiência transformadora, mas exigente, que requer preparação para que o corpo acompanhe a intenção do espírito”, sublinha a enfermeira Mafalda Lopes. A recomendação começa logo antes de dar o primeiro passo: “Não se deve iniciar a caminhada em jejum. Uma refeição equilibrada ajuda a prevenir a fadiga precoce e a sensação de fraqueza”.
Ao longo do dia, o segredo está na regularidade. Pequenas refeições, hidratação constante, “mesmo sem sede”, e pausas curtas ajudam a manter o ritmo. “Beber água ao longo do percurso melhora o desempenho físico e previne a desidratação”, explica.
Os músculos também pedem atenção. Alongamentos antes e depois da caminhada podem evitar lesões, enquanto o magnésio, quando indicado, ajuda a prevenir cãibras e espasmos.
Mas são os pés que carregam o peso da promessa e exigem cuidados redobrados. “São o principal suporte da jornada”, lembra a enfermeira. Hidratar a pele, manter os espaços entre os dedos secos e usar meias adequadas, sem costuras, pode evitar bolhas e feridas. E há uma regra de ouro: nunca estrear calçado durante a peregrinação.
“O calçado deve ser confortável, estável e já adaptado ao pé”, reforça Mafalda Lopes, aconselhando ainda que a escolha seja feita ao final do dia, quando o pé está mais dilatado.
Sob o sol de maio, a proteção não pode ficar para segundo plano. Protetor solar com fator elevado, chapéu e roupa leve ajudam a prevenir queimaduras e o desgaste adicional provocado pelo calor. No final de cada etapa, os cuidados com a pele e algum repouso ajudam a recuperar forças para o dia seguinte.
Já na chegada a Fátima, a GNR recomenda atenção aos bens pessoais, evitar objetos de valor e sair das celebrações de forma calma e gradual. Num espaço que acolhe multidões, a vigilância deve ser constante, sobretudo com crianças e idosos.
Entre o cansaço e a determinação, entre a dor dos pés e a força interior, a peregrinação continua a ser, para muitos, mais do que um caminho físico. E, como lembra Mafalda Lopes, “com preparação adequada e escolhas conscientes, pode tornar-se uma experiência verdadeiramente enriquecedora, uma jornada vivida com equilíbrio, serenidade e cuidado”.
Porque, no fim, chegar é importante. Mas chegar bem faz toda a diferença.
