Feira recebe Conselho de Ministros e mobiliza Governo e partidos, a par de aposta no vinho, inovação e setor agrícola. Tudo entre 29 de abril e 3 de maio.
A Ovibeja volta a afirmar-se como um dos principais palcos de debate político e agrícola do país, numa edição marcada pela realização de um Conselho de Ministros e pela presença de vários membros do Governo e representantes partidários.
Em entrevista, o presidente da ACOS – Associação de Agricultores do Sul, Rui Garrido, sublinha que o caráter reivindicativo faz parte do “ADN” da feira. “Vamos voltar a colocar em cima da mesa as grandes preocupações do setor e da região”, afirma, apontando como temas centrais a nova Política Agrícola Comum (PAC), o acordo Mercosul, a Estratégia Água que Une e os desafios da interioridade.
A 42.ª edição da Ovibeja decorre de 29 de abril a 3 de maio, em Beja, sendo inaugurada pelo ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes. No dia 30 de abril, o certame acolhe uma reunião do Conselho de Ministros, reforçando o peso institucional e mediático do evento, que tradicionalmente atrai decisores políticos e atenção nacional.
Sob o tema “Vinho à Prova”, a edição deste ano destaca um setor em dificuldades, promovendo provas comentadas, showcookings e debates sobre mercados, enoturismo e gastronomia. O vinho e o azeite terão um pavilhão próprio, com programação diária aberta ao público, enquanto os restantes produtos agroalimentares estarão concentrados numa área complementar.
A feira contará com cerca de mil expositores e espera mais de 100 mil visitantes, apresentando-se como montra do potencial do interior, aliando tradição, inovação e tecnologia, com destaque para áreas como a inteligência artificial e a investigação aplicada à agricultura.
Entre as preocupações do setor, Rui Garrido destaca a evolução da Estratégia Água que Une, defendendo medidas mais céleres, como a construção de pequenas barragens no sul do Alentejo e a interligação das bacias do Tejo e do Guadiana. O responsável alerta ainda para o aumento dos custos de produção, agravado pelo contexto internacional, com subidas significativas no preço dos combustíveis e fertilizantes.
A edição deste ano conta com as Terras de Trás-os-Montes como região convidada e inclui também a presença de delegações internacionais, nomeadamente empresários brasileiros, reforçando a dimensão externa do evento.
Apesar da dimensão e impacto, o presidente da ACOS recorda que a Ovibeja é organizada sem financiamento público direto, dependendo essencialmente da bilheteira, da venda de espaços e de patrocínios.
“É uma feira de agricultura, para agricultores, mas é muito mais do que isso”, conclui Rui Garrido. “É um espaço de trabalho, de reflexão e de debate, mas também de convívio. A Ovibeja é um local onde todos se sentem bem.”
