D. Francisco Senra Coelho destaca coesão das comunidades, qualidade dos equipamentos sociais e dinamismo local, apesar dos desafios do despovoamento

  Rosário Silva

O arcebispo de Évora, D. Francisco Senra Coelho, terminou no último domingo a visita pastoral ao concelho de Portel, deixando um balanço marcadamente positivo após vários dias de contacto direto com as populações, instituições e realidades locais.

Ao longo da visita, que passou pelas seis freguesias – Santana, Vera Cruz, Amieira, Alqueva, Monte do Trigo e Portel – o prelado destacou a forma como foi acolhido e a proximidade que conseguiu estabelecer com as comunidades. “Levo de Portel uma imagem muito positiva, de um povo empreendedor, muito unido”, afirmou, ao jornal a defesa.

Acompanhado pela imagem peregrina de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, o percurso foi preparado com visitas porta a porta, onde foram também identificadas situações de maior fragilidade social, como lutos recentes, problemas de saúde mental ou contextos de dependência. Nesses casos, houve um reforço do acompanhamento pastoral e social, envolvendo religiosas e estruturas locais.

Durante a visita, o Prelado privilegiou o contacto com diferentes gerações, com especial atenção às crianças e aos idosos. Nas escolas, encontrou “sinais de esperança”, enquanto nos encontros com a população mais velha destacou a partilha de memórias ligadas à vida rural, ao trabalho agrícola e às dificuldades de outros tempos, num retrato vivido da identidade local.

Um dos aspetos que mais impressionou o arcebispo foi a rede de equipamentos sociais existente no concelho. “Portel será um dos concelhos com melhor equipamento social” entre os que já visitou, sublinhou, apontando a qualidade de centros de dia, apoio domiciliário, estruturas residenciais para idosos e espaços comunitários. Destacou ainda o modelo de organização da rede social, com uma única instituição com polos distribuídos pelas várias freguesias, como exemplo a seguir noutros territórios.

Apesar da avaliação globalmente positiva, o responsável diocesano não deixou de referir preocupações. O despovoamento e o envelhecimento da população são, segundo afirmou, os principais desafios, a par da dificuldade em fixar jovens devido à reduzida oferta de emprego e à fraca presença industrial.

Também o património religioso mereceu atenção, com alertas para situações que exigem intervenção urgente, como a igreja de São Paulo, em estado de degradação, ou o caso da Amieira, cuja igreja matriz ficou afastada da população após a construção da Barragem de Alqueva.

Ainda assim, o arcebispo sublinhou o empenho das entidades locais na preservação do património e no investimento em infraestruturas, bem como a vitalidade das comunidades. “Encontrei uma igreja viva, uma Santa Casa da Misericórdia dinâmica e comunidades com fortes laços humanos”, afirmou.

No final, a mensagem que leva de Portel é de confiança: “Há dificuldades, mas há uma decisão assumida de trabalhar e investir para fazer deste concelho um concelho vivo, que marca esperança no futuro.”

Adeus Portel, olá Viana do Alentejo

Entretanto, as comunidades do concelho de Viana do Alentejo já estão a preparar a visita pastoral do arcebispo de Évora, num trabalho que está a ser feito no terreno através de uma missão porta a porta, como de resto aconteceu, primeiro, em Mourão e, agora, em Portel.

“A visita do nosso pastor é sempre importante para mostrar precisamente esta comunhão entre todos, na Igreja”, afirma o pároco local, padre Luís Santos.

Segundo o sacerdote, as comunidades já foram alertadas para este momento e aguardam agora a chegada dos missionários. “Estamos a aguardar a vinda dos missionários para que, nessa missão porta a porta, possam ainda levar mais longe esta boa nova e anunciar a todos a vinda do nosso pastor”, explica.

A iniciativa é vista como uma oportunidade de renovação da vida comunitária. “É sempre uma fonte para reanimar também a fé das comunidades e fazer algo diferente e novo”, refere o pároco, sublinhando que este tempo permite também “acolher a graça que Deus pode querer transmitir às comunidades”.

Há quatro anos em Viana do Alentejo, o padre Luís Santos identifica como principal desafio o envolvimento de mais pessoas na vida da Igreja. “O grande desafio é trazer jovens e trazer homens à Igreja, não para virem só por vir, mas para que descubram a importância de Deus na sua vida”, sublinha.

Apesar de reconhecer algumas dificuldades sociais, o pároco destaca a solidariedade das populações. “Quando sabemos que há alguém que atravessa dificuldades, as comunidades são generosas e capazes de se juntar e partilhar com os outros”, diz.

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