O FIOE apresenta um concerto com Javier Artigas Pina e Joxe Benantzi Bilbao, uma celebração do órgão como instrumento de múltiplas vozes e identidades, capaz de unir tradição e inovação, solenidade e fantasia, num vibrante encontro entre Itália e Península Ibérica.

O concerto está agendado para dia 1 MARÇO, às 18h00, na Sé de Évora.

O dinamismo do programa apresentado neste concerto é caracterizado por obras de órgão entre os séculos XVI a XVIII, revelando a riqueza estética, técnica e expressiva do repertório ibérico e italiano, com especial destaque para o diálogo entre dois instrumentos, onde a catedral de Évora recebeu o primeiro conjunto de dois órgãos datados de 1562 e o primeiro conjunto funcional de toda a Europa, num toque de puro vanguardismo artístico.

As peças de abertura localizam-se em Itália com as toccatas do bolonhês Aurelio Bonelli, retiradas do seu Il Primo Libro de Ricercari et Canzoni (1602). Obras de brilhante diálogo entre dois órgãos, ao estilo da basílica de S. Petrónio de Bolonha. Escutaremos La Athalanta e La Cleopatra, obras que exploram a teatralidade própria do ambiente de diálogo entre dois instrumentos, com nomes que claramente aludem e emergem do renascimento greco-latino. Ainda no mesmo contexto cultural, surge a majestosa canzona a oito vozes de Giovanni Gabrieli, exemplo paradigmático da escrita policoral e do esplendor sonoro da Basílica de São Marcos de Veneza.

O programa estabelece, depois, uma ponte com a tradição ibérica. A anónima Canção atribuída a Antonio Carreira, preservada na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, testemunha a circulação e adaptação de modelos italianos na Península. Seguem-se dois Tentos de Francisco Correa de Arauxo, retirados da sua obra Facultad Orgánica (1626), onde o rigor contrapontístico, a expressividade e estruturação retóricas e o colorido dos meios-registos revelam a sofisticação e vanguardismo da linguagem idiomática para órgão.

Já no período Barroco pleno e tardio com a dimensão lúdica e imagética do Capriccio sopra lo scherzo del cucco de Bernardo Pasquini, peça célebre pela evocação do canto do cuco, e com a vibrante Batalla de José de Torres, que recria no órgão, com os seus clarins, tambores e passarinhos o ambiente marcial, no contraste entre guerra e paz, mal e bem, demónio e Deus, em que Cristo vence a morte, expressada através de efeitos rítmicos e contrastes sonoros característicos do repertório ibérico.

A dimensão concertante ganha especial relevo nas obras para dois órgãos: a Sonata a dois órgãos de Gaetano Piazza e o Concerto a dois órgãos de Giovanni Bernardo Lucchinetti. Nelas, o diálogo entre instrumentos assume contornos quase orquestrais, alternando passagens de grande contraste entre o forte e enérgico e o piano e suave, numa evidência evolutiva da linguagem barroca para uma estética pré-clássica mais galante e transparente.

Interpretado por Javier Artigas Pina e Joxe Benantzi Bilbao, este concerto celebra o órgão como instrumento de múltiplas vozes e identidades, capaz de unir tradição e inovação, solenidade e fantasia, num vibrante encontro entre Itália e Península Ibérica ao longo de dois séculos de criação musical.

PROGRAMA

Aurelio Bonelli (ca.1569- ca.1620)

Il Primo Libro de Ricercari et Canzoni a quattro voci, con due toccate e doi dialoghi a otto

1602, Gardano, Venezia

-Toccata detta La Athalanta *

-Toccata detta La Cleopatra *

Giovanni Gabrieli (1554/7-1612)

Canzoni per sonare con ogni sorte di stromenti a Quattro, cinque, & otto. Libro primo

1608, A. Raverii, Venezia

-Canzon Sol Sol La Sol Fa Mi a 8 *

Biblioteca Geral da Universidade Coimbra. P-Cug MM042, ff. 14r.-14v.

-Canção [Antonio Carreira] **

Francisco Correa de Arauxo (1583-1654)

Libro de Tientos y Discursos de Musica Practica y Theorica de Organo intitulado Facultad Organica

1626, Antonio Arnao, Alcalá

-Tiento de medio registro de dos tiples de segundo tono, Re, y Sol, por Delasolrre del genero diatónico a cinco vozes +

-Tiento de noveno tono, Re, y La, por el sustenido de fefaut accidentalmente, (de el genero semihenarmonico duro) **

Gaetano Piazza (ca.1725-ca.1775)

-Sonata a due organi in Fa Maggiore *

Allegro

Staatsbibliothek Berlin. Mus. ms. Landsberg 215, pp. 247-257

Bernardo Pasquini (1562-1633)

-Cappriccio sopra lo scherzo del cucco +

José de Torres (1661-1727)

-Batalla **

Giovanni Bernardo Lucchinetti (1730-18001)

-Concerto a due organi in Si b Maggiore *

Spiritoso – Allegro

Javier Artigas Pina (+) , Joxe Benantzi Bilbao (**) Interpretação a dois órgãos (*).

PRÓXIMOS CONCERTOS DO CICLO 2025>2026

Alice Rocha

A jovem intérprete eborense apresenta obras do romantismo francês numa linguagem idiomática exclusiva do órgão Cavaillé-Coll de salão.

18h00 sábado, mar. 21, 2026 Igreja do Espírito Santo

Paulo Bernardino, Rui Soares, João Santos e Ricardo Toste

Os quatro organistas encontram-se mais uma vez para uma interpretação entusiasta e vibrante dos quatro órgãos de S. Francisco

18h00 domingo, abr. 26, 2026 Igreja de S. Francisco

André Bandeira

Interpreta obras no esplendoroso órgão barroco da capela mor da Sé de Évora, um dos mais equilibrados e belos instrumentos deste período

18h00 domingo, mai. 10, 2026 Sé de Évora

Rafael dos Reis – harmónio, João Cunha – violino e Joana Godinho – canto

Concerto intimista de harmónio, violino e canto na pequena Capela de S. Joãozinho da igreja de S. Francisco

18h00 quarta, jun. 10, 2026 Capela de S. Joãozinho da Igreja de S. Francisco

Lorenzo Ghielmi, Simone Vebber, Franz Danksagmüller, Ana Marjia Krainc

Estreia de uma obra para quatro órgãos de Simone Vebber e outra de Franz Dangsanmeuller

18h00 domingo, jun. 28, 2026 Igreja de S. Francisco

Alunos do Instituto Gregoriano de Lisboa

Premiados no 1º Concurso Internacional de Órgão de Évora jul-2025 nos níveis Básico e Médio

18h00 sábado, jul. 11, 2026 Igreja do Espírito Santo

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O FESTIVAL

O FIOE – Festival Internacional de Órgão de Évora é um evento cultural e musical em permanência, centrado na valorização do património organístico eborense e na divulgação da música sacra e erudita.

Foi criado no seguimento de um dinâmico e consistente processo de recuperação e restauro dos órgãos históricos pertencentes às igrejas de S. Francisco, Sé de Évora e igreja do Espírito Santo. O FIOE é organizado por estas três instituições com o objetivo de devolver à comunidade o pleno usufruto artístico e litúrgico desses instrumentos, agora devolvidos à sua plenitude musical e estética.

O Festival oferece uma programação de nível internacional, com Ciclos de Concertos anuais entre outubro e julho de cada ano.

A par da música, o FIOE promove atividades paralelas como conferências temáticas, masterclasses para músicos profissionais, workshops para crianças, visitas guiadas aos órgãos, registos fonográficos, lançamentos editoriais e um concurso internacional bienal para organistas, contribuindo assim para uma abordagem mais ampla e educativa sobre o universo do órgão e da música clássica.

Com direção artística do organista e investigador Rafael dos Reis, que desenvolve um doutoramento focado na história da música e dos órgãos da região, o Festival aposta também na criação contemporânea, tendo já encomendado obras originais a compositores portugueses e estrangeiros. Esta componente inovadora reforça o papel do FIOE como espaço de cruzamento entre tradição e modernidade.

Para além da programação cultural, o FIOE posiciona-se como um evento estruturante para o desenvolvimento local, buscando criar e consolidar parcerias com instituições e empresas da região.

O Festival aposta numa comunicação multicanal nacional e regional, envolvendo rádios, televisões, imprensa escrita, plataformas digitais e redes sociais, sendo todos os concertos registados em video e disponibilizados online.

O FIOE é mais do que um festival de música: é um projeto de preservação patrimonial, criação artística, formação e envolvimento comunitário, que reforça a identidade cultural de Évora e do Alentejo no panorama musical nacional e internacional.

O FIOE assume-se como o Festival de Música Sacra e Erudita de excelência a sul do Tejo.

Todos os concertos e atividades paralelas têm entrada livre.

  A ORGANIZAÇÃO

Cónego Manuel da Silva Ferreira Coordenador e Pároco de S. Francisco

Rafael dos Reis Diretor Artístico, Organista e Bolseiro de Investigação pela FCT

Manuel Ribeiro Diretor de Comunicação e Produção Multimédia  

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