Será, seguramente, o momento mais forte da homenagem às vítimas do atentado terrorista de há um ano na Basílica de Notre-Dame, na cidade francesa de Nice. Hoje, pelas 08:45, hora local, os sinos tocarão em todas as igrejas e será observado um minuto de silêncio em memória das três pessoas assassinadas por um terrorista tunisino.

Ao longo do dia, irão decorrer várias homenagens às vítimas: Vincent Loquès, sacristão, de 55 anos e pai de duas filhas; Simone Barreto-Silva, uma brasileira, de 44 anos de idade e mãe de três filhos; e Nadine Devillers, de 60 anos. Os três foram violentamente esfaqueados no interior da Igreja por Brahim Aouissaoui, de 22 anos, que está na prisão a aguardar julgamento.

Mais tarde, pelas 17 horas, será apresentada uma obra de Théo Tobiasse no adro da Basílica, e, meia hora mais tarde, no momento mais solene, haverá o descerramento de uma placa evocativa, a que se seguirá a celebração de uma missa presidida pelo Bispo de Nice, D. André Marceau.

Há um ano, logo após o atentado, o frade dominicano José Luís Almeida Monteiro afirmava, à Fundação AIS, ter ficado “sem palavras” ao saber do ataque brutal em plena igreja, num cenário terrível de violência com uma das vítimas a ser decapitada junto à pia baptismal.

Apesar da brutalidade do ataque, o frade português, secretário-geral da província dominicana de França e director da Biblioteca do Sulchoir, de 61 anos de idade, disse não ter ficado totalmente surpreendido e recordou por comparação o atentado na Igreja de Saint Étienne-du-Rouvray, em Julho de 2016. “É triste dizer, mas pensei de certa forma na expressão francesa ‘déjá vu’, já visto. Quando o Padre Hamel foi decapitado, creio que o choque foi muito maior.”

Agora, um ano depois, o frade dominicano reconhece que a percepção sobre a ameaça do terrorismo está instalada na sociedade francesa. E as pessoas aprenderam a viver com isso, tal como se foram habituando às restrições impostas ao nível da saúde por causa da covid19. “Aprendemos a viver com isto da mesma forma que estamos ainda a aprender a viver com a pandemia. Com a pandemia, a situação está relativamente calma mas pode explodir de novo. E na situação do terrorismo, tal como na pandemia, aprendemos a viver com essas duas grandes vulnerabilidades e fragilidades…”

Departamento de Informação da Fundação AIS | ACN Portugal

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