Todas as profissões exigem competências no saber e no saber-fazer. Estas competências adquirem-se pelo estudo e pela prática, pelo uso da tecnologia e pelo fazer repetitivo. Já os antigos distinguiam o “saber de experiências feito” e o “saber teórico-especulativo” de cariz académico. Por ser coisa diferente procurar emprego e procurar trabalho, presume-se que, para empregos de mãos limpas, o procedimento normal seja encontrar pessoas com mestrados, licenciaturas, doutoramentos, diplomas, cursos específicos, práticas reconhecidas, experiência no ramo, eu sei lá, em consonância com os objetivos pretendidos. Por serem também diferentes a habilitação literária e a competência profissional, todos conhecemos muitos incompetentes com diplomas de altíssimo grau académico em ofícios para os quais as habilitações nem são específicas nem mínimas. É nessa linha que, para os empregos de mãos sujas (para os quais se não exigem habilitações académicas), os trabalhadores portugueses têm sido, por esse mundo fora, dos que mais competências possuem. Consta até que muitos são extraordinários na arte do “desenrasca” porque, perante qualquer incidência não prevista, sabem reagir na perfeição como se tudo estivesse planeado. Complementares às competências profissionais (com ou sem habilitação académica) havia, há uns anos, as Cartas de Recomendação (hoje substituídas pelas “entrevistas”) nas quais uma pessoa, presumivelmente idónea e responsável, garantia as virtudes humanas do candidato. Essas Cartas tinham a função de acrescentar dados comportamentais (éticos, sociais, de cortesia) às competências profissionais. Sabemos que, ao lado deste procedimento normal, havia (e há) outros que eram o seu contrário. Para um bom número de habilidosos desse tempo e de agora, restava o “chico-espertismo” e as refinadas artes de subterfúgios, como sejam manipulações, batotas, compadrios, cunhas, influências, sacos azuis. Neste item, a feira estava bem sortida e continua igual! Há de tudo e em abundância. Voltando ao essencial. Se me fosse pedido que indicasse algumas características psicológicas e de personalidade, diria que um profissional competente tem de ser eficiente e eficaz, prudente e sigiloso – alguém em quem se possa confiar. Terá consciência de que o “saber” e o “saber-fazer” é o pré-requisito para a prestação de serviços de boa qualidade. Um profissional competente, em caso de críticas destrutivas, sabe tomar medidas ajustadas. Mas, acima de tudo, tem de ser honesto. A honestidade do profissional competente não admite relativismos, tolerância ou interpretações circunstanciais como desculpa ou autopromoção. Longe dele qualquer corrupção. Mais: um profissional competente não descai no fascínio dos lucros fáceis, ilícitos e rápidos, nem se pavoneia nos privilégios e benefícios adquiridos. É perseverante também nos insucessos e fracassos. É suficientemente humilde para admitir que não é dono da verdade e que o bom senso e a inteligência são também propriedade de outros. Por isso, só é intransigente quando está em causa a verdade. O profissional competente dá prioridade aos valores sociais e éticos que os objetivos específicos da sua empresa exigem; e assume posições justas em todas as situações que remexem com as suas capacidades.

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